A Tuberculose é uma doença tantas vezes associada a mitos e discriminação, mas não precisa de ser assim! Os últimos números disponíveis sobre esta doença em Portugal relatam 16.6 casos por cada 100 mil habitantes. Significa que o número de casos tem vindo a diminuir, mas todos os esforços são necessários para a eliminação da Tuberculose. 

Esta doença é provocada por uma bactéria chamada Mycoacterium Tuberculosis, também conhecido por bacilo de Koch em homenagem ao médico alemão Robert Koch, que a identificou pela primeira vez em 1882. O contágio ocorre quando o bacilo é expelido para o ar pela pessoa com tuberculose quando esta tosse, espirra ou fala, e entra nas vias respiratórias dos outros. Para que aconteça esse contágio, geralmente é necessário haver um contacto próximo e algo prolongado no tempo com o doente. A doença pode não se desenvolver imediatamente, podendo manter-se adormecida e ser ativada vários anos após o contacto. 

A maioria das tuberculoses atingem os pulmões, mas podem afetar qualquer órgão do corpo. Apenas a doença desenvolvida do trato respiratório (pulmões ou laringe) é que pode contagiar outras pessoas e exige medidas especiais de proteção (apenas enquanto o doente for contagioso): uso de máscara a tapar o nariz e a boca, tanto pela pessoa infetada como pelos seus conviventes. 

Os sintomas, que geralmente se arrastam no tempo, são habitualmente leves e podem incluir tosse, expetoração com sangue, diminuição do apetite, perda de peso, suores noturnos acompanhados de febre baixa (mais comum ao final da tarde) e perda de forças.  

O diagnóstico é feito pela história clínica e pelo exame físico em conjunto com exames específicos, como a radiografia de tórax (ou tomografia computorizada de tórax) e a análise da expetoração com pesquisa e cultura para o crescimento do Mycobacterium Tuberculosis. Contudo, e dependendo do órgão afetado, pode ser necessária a realização de outros exames para se estabelecer o diagnóstico. 

Os Centros de Diagnóstico Pneumológico são os locais destinados à abordagem e tratamento da Tuberculose, que tem a duração mínima de 6 meses e consiste em vários antibióticos. É essencial o cumprimento do tratamento completo para a doença ficar completamente curada. É também nestes centros que se realizam os rastreios de tuberculose. 

Filipa Lemos e Aguiar

Médica do Serviço de Pneumologia do Hospital de Braga

Leonor Meira

Médica do Serviço de Pneumologia do Hospital de Braga