Com a chegada do Inverno, a diminuição da temperatura desencoraja muitas pessoas a
praticar exercício físico. No entanto, a atividade física ao ar livre pode e deve ser mantida nas
estações do ano mais frias.


A prática regular de exercício físico ao ar livre durante o Inverno está associada a múltiplos
benefícios, com impacto ao nível da saúde física e mental. No que diz respeito ao sistema
respiratório, a exposição ao ar frio permite aumentar a capacidade pulmonar, utilizando o oxigénio
de forma mais eficiente. Sob temperaturas mais baixas, o organismo não transpira tanto e não há
necessidade de bombear sangue para a periferia, pelo que o consumo de energia é menor. Desta
forma, ocorre aumento da capacidade de resistência por melhoria da função aeróbica dos músculos.


Embora a atividade física esteja sempre aconselhada em qualquer altura do ano, a sua
realização ao ar livre em climas frios deve ser acautelada. No Inverno, a baixa humidade do ar pode
levar à irritação das vias aéreas e consequente hiperreatividade brônquica, isto é, constrição dos
brônquios com sinais de dificuldade respiratória. Associadamente, o aumento da frequência
respiratória associada ao esforço acaba por sobrecarregar o sistema respiratório, pois a respiração
passa a ser predominantemente oral, o que leva à desidratação das vias aéreas e a uma distribuição
de oxigénio aos tecidos menos eficiente.

Assim, para praticar exercício físico exposto ao frio, é necessário tomar medidas para proteger o sistema respiratório, mesmo que a função pulmonar seja normal e não exista nenhuma patologia associada. As devidas precauções são as seguintes:


1. Privilegiar a respiração pelo nariz de forma controlada, visto que existe um maior número
de vasos sanguíneos e glândulas secretoras na mucosa nasal que permitem aquecer e
humidificar o ar inspirado.


2. Manter a hidratação, com ingestão hídrica antes, durante e após o treino. Apesar de a
transpiração ser menor durante a exposição ao frio, ocorre sempre perda de água através
do suor, pelo que a hidratação não deve ser descurada.


3. Proteger as extremidades, utilizando gorro e luvas para cobrir as mãos e as orelhas.
Também é importante a utilização de um cachecol ou gola térmica sobre a região da boca e
nariz, para ajudar a aquecer o ar antes da inspiração.


4. Vestir a roupa de desporto em camadas. A primeira camada deve ser material sintético
junto à pele, para dissipação da transpiração; a segunda material isolante como a lã para
aquecer e a terceira deve ser material impermeável, adequado às condições
meteorológicas.


5. Após o treino, aguardar que a respiração retorne ao seu basal antes de entrar em
ambientes mais quentes. A mudança rápida para um ambiente quente com uma frequência
respiratória ainda aumentada pode condicionar maior desidratação das vias aéreas e maior
reatividade brônquica.


De ressalvar que perante comorbilidades respiratórias importantes como asma ou doença
pulmonar obstrutiva crónica, as vias áreas são mais sensíveis a fatores como a exposição ao frio,
pelo que estes indivíduos apresentam maior risco de exacerbação. Nestes casos, antes de iniciar a
prática física ao ar livre no Inverno, é importante abordar a questão junto do médico.


Portanto, como mensagem final, a prática de exercício físico deve ser sempre realizada,
mesmo ao ar livre durante o Inverno, com todos os cuidados necessário

 

Inês Gonçalves e Raquel Pereira

Serviço de Pneumologia da ULS Braga