A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome que se caracteriza por um deficiente funcionamento do coração na sua função de receber ou injetar o sangue para fora do coração, incapacitando tanto  outros órgãos de receber oxigénio e nutrientes, como também o coração de eliminar os resíduos tóxicos resultantes do trabalho desses mesmos órgãos. É uma patologia crónica e progressiva, mas pode ser controlada através de uma vigilância apertada por parte dos doentes e dos  profissionais de saúde.  

Os portadores de IC podem sentir:  

  • falta de ar, sobretudo quando fazem esforços como subir escadas;  
  • inchaço dos pés e pernas;  
  • necessidade de dormir com a cabeça mais alta;  
  • aumento de peso de um dia para o outro; 
  • menor vontade para urinar;  
  • aumento do volume abdominal e cansaço ao realizar atividades que normalmente realizariam sem esforço; 
  • diminuição do apetite, sensação de enfartamento e tonturas. 

A insuficiência cardíaca desenvolve-se normalmente após o doente ter sido acometido por outras doenças cardiovasculares como enfarte agudo do miocárdio, doenças valvulares e arrítmicas.  Estas doenças cardiovasculares estão dependentes do controle dos fatores de risco cardiovascular como o tabagismo, colesterol, excesso de peso, hipertensão arterial, diabetes, stress, sedentarismo, entre outros.

Depreende-se, então, que o controlo dos fatores de risco cardiovascular diminui a incidência de doenças cardiovasculares e, consequentemente, a prevalência de insuficiência cardíaca. 

Em Portugal, segundo dados da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, mais de 50% das pessoas tem excesso de peso, 40% são hipertensos, 30% tem colesterol elevado, 25% são fumadores, 13% das pessoas entre os 20 e 79 anos são diabéticos. Ainda segundo a mesma fonte, 400 mil portugueses e 15 milhões de europeus sofrem de IC, sendo uma das principais causas de hospitalização em todo o mundo. 

O tratamento da insuficiência cardíaca não passa pela cura, mas por controlar os sintomas e sinais da síndrome. O doente precisa estar atento aos sinais e sintomas da IC para que possa ter noção se há ou não agravamento dos mesmos. É assim, um processo de autovigilância fundamental para que se possa atuar terapeuticamente antes da descompensação da síndrome.  

O doente pode, desta forma, controlar a peso, pesando-se todos os dias após acordar, na mesma balança e depois de esvaziar a bexiga. O aumento de peso de um dia para o outro de 1kg pode requerer um ajuste medicamentoso e o controlo da ingestão de líquidos. A vigilância do aumento do cansaço na realização das mesmas tarefas bem como o aumento do inchaço das pernas e pés e a necessidade de dormir com mais uma almofada na cabeceira da cama são sinais de que a IC pode estar a agravar.  Recomenda-se então consultar profissionais de saúde, nestes tempos   por contacto telefónico, e se necessário recorrer aos cuidados de saúde de forma presencial. 

No internamento hospitalar, o tratamento da IC passa por administração de medicação por via endovenosa e, em casos mais graves, aplicação de dispositivos médicos que permitem melhorar a dificuldade respiratória e a força de contração do músculo cardíaco. A progressão da IC depende diretamente do quanto e como se mantém controlada pois quando descompensada pode pôr em risco a vida do doente.  

Alexandra Gonçalves

Enfermeira do Serviço de Cardiologia da ULS Braga