A hepatite é uma doença inflamatória do fígado, frequentemente causada por infeções por vírus, podendo ter outras causas como doença autoimune ou tóxica, devida a medicamentos, drogas, toxinas ou álcool.

A hepatite vírica pode ser causada por vários vírus, uns transmitidos por via oral através do consumo de água e alimentos contaminados ou contacto com materiais contendo o vírus, outros transmitidos entre humanos por contacto com sangue ou outros fluídos orgânicos, nomeadamente por contacto sexual.

Contraída a infeção esta pode desaparecer espontaneamente pela ação dos mecanismos de defesa do organismo ou progredir para uma forma crónica de hepatite, que pode posteriormente evoluir para cirrose, insuficiência hepática ou cancro do fígado.

Interessa conhecer as hepatites que podem ser evitadas através de hábitos saudáveis ou pela vacinação, em especial as que podem evoluir para formas crónicas e que é possível tratar. Falamos das hepatites por vírus B e C.

Estima-se que em todo o mundo 2 biliões de pessoas já foram infetadas por algum tipo de vírus da hepatite e que mais de 500 milhões de pessoas têm atualmente hepatite vírica crónica por vírus B e C. É responsável no mundo por mais de 1,3 milhões de óbitos por ano, mais do que as infeções por VIH/SIDA, tuberculose ou malária, e por 2 em cada 3 casos de cancro do fígado.

Comemora-se em 28 de Julho o Dia Mundial da Hepatite.

Esta data foi estabelecida em 2010 pela Organização Mundial de Saúde e ratificada pelos governos de 194 países, com o objetivo de promover junto da opinião pública o conhecimento e a compreensão sobre a hepatite viral como um dos mais importantes problemas de saúde pública a nível mundial.

Pretendeu estabelecer e fortalecer medidas preventivas, de controlo e de tratamento da doença, nos estados membros e no mundo, e o compromisso com a ambiciosa meta de, até 2030, conseguir a erradicação da hepatite viral no mundo.

Embora tenhamos todas os instrumentos necessários para atingir este objetivo, estima-se que, sem o saberem, mais de 300 milhões de pessoas sejam portadores da doença. A maioria destas reside em países e regiões carenciadas, onde não é possível uma prevenção minimamente eficaz, a realização dos meios de diagnóstico necessários, nem a realização do tratamento necessário para a sua cura.

Ainda que consideremos inatingível o objetivo da OMS, de erradicar a hepatite vírica no mundo até 2030, temos todos um papel a desempenhar, promovendo todas as medidas ao nosso alcance:

Fazer prevenção – cumprir o Plano Nacional de Vacinação estabelecido em Portugal, que inclui desde 1994 a vacina para a hepatite B e usar eficazes medidas preventivas de contágio que incluem o uso de preservativo e não partilhar agulhas, seringas ou objetos de higiene pessoal.

Estabelecer o diagnóstico da doença o mais precocemente possível – havendo suspeição, com base em elementos clínicos e epidemiológicos, deve recorrer-se a consulta médica e à realização dos exames complementares de diagnóstico, necessários para a sua confirmação.

Confirmada a doença, iniciar o tratamento – a hepatite crónica por vírus B e C, até há poucos anos sem tratamentos eficazes, dispõe atualmente de terapêuticas com elevadas taxas de cura e que são disponibilizadas em Portugal, desde 2015, de forma gratuita, pelo SNS.

Mais de 14 000 doentes com hepatite C foram já curados nos últimos 4 anos em Portugal, com recurso a medicamentos que conseguem curar mais de 96% dos doentes tratados.

 

Francisco Nunes Gonçalves

Médico de Medicina Interna do Hospital de Braga