Para a maioria dos portugueses, verão é sinónimo de férias, praia e piscina, dias sem horários (para dormir, acordar e muito menos para comer). No entanto, essa descontração não significa que se descuide a alimentação.


Com a chegada do verão, o nosso corpo ajusta-se a esta estação do ano. A energia que precisamos para manter as funções vitais (metabolismo basal) diminui em relação ao inverno, pelo que necessitamos de ingerir menos calorias. É muito comum que as temperaturas elevadas façam diminuir o apetite. A melhor estratégia é privilegiar alimentos de fácil digestão, como frutas, legumes e peixes/carnes magras, por exemplo.


Nos dias quentes também existe uma maior perda de líquidos e minerais, devido ao aumento da temperatura corporal e transpiração excessiva. Assim, é importante manter uma boa hidratação, para que todos os líquidos perdidos sejam repostos.

Esta reposição pode ser conseguida recorrendo à tradicional água, mas também às infusões ou águas aromatizadas caseiras, sem adição de açúcares. Outra opção são as frutas e legumes ricos em água, como melancia ou pepino.


Outro dos temas que também merece destaque, quando se fala de alimentação em tempo de calor, é a segurança alimentar. Além da qualidade dos alimentos, é preciso especial cuidado com a preparação e conservação dos mesmos.

Os produtos hortícolas devem ser sempre acondicionados no frigorífico e lavados em água corrente. Carne e peixe devem ser consumidos no próprio dia, se frescos, caso contrário devem ser congelados.

As elevadas temperaturas facilitam a proliferação de fungos e bactérias, podendo ocorrer, com mais facilidade, intoxicações alimentares. Assim, na preparação, é importante evitar a contaminação cruzada por facas e tábuas usadas noutras preparações, bem como cozinhar bem os alimentos e só os colocar no frigorífico ou congelador depois de terem arrefecido devidamente.


Na praia ou na piscina, existem muitas opções de produtos alimentares vendidos de forma ambulante. É importante dar uso aos nossos sentidos (visão, olfato e paladar) para evitar consumir alimentos que facilmente podem ser fontes de contaminação, se mal acondicionados (bolas de Berlim com creme à base de ovo mal refrigeradas, gelados mal acondicionados, etc).

Ficam alguns dos cuidados a ter com a alimentação em tempos de maior calor:

  • Privilegie o consumo de frutas e hortícolas, pois são ótimas fontes de vitaminas, minerais e fibras, tendo em atenção as porções e quantidades ingeridas.
  • Para o tempero das saladas evite maionese caseira e molhos prontos. Dê preferência ao azeite, limão e vinagre.
  • Reduza o sal e experimente algumas especiarias e ervas aromáticas.
  • Prefira os cereais integrais que combinam com saladas e pratos frios em geral.
  • Privilegie o azeite como fonte de gordura, mas sempre com moderação.
  • Opte pelas carnes brancas de aves, peixes e cortes de carnes vermelhas magras.
  • Quanto à confeção, alterne entre cozidos, grelhados e assados deixando de lado os fritos que não combinam com o clima quente do verão, além de serem extremamente calóricos.
  • Em vez das sobremesas doces, opte por sugestões mais refrescantes, como frutas ou doces à base de frutas (gelados de fruta, saladas de fruta, gelatinas e smoothies).
  • Modere o consumo de bebidas alcoólicas: além de serem muito calóricas e pobres em valor nutricional, podem comprometer a sua hidratação.
  • Mantenha-se hidratado com chás, infusões ou água, reforçando este aporte hídrico durante a prática de exercício físico.


Mas acima de tudo, aproveite o verão ao máximo (sem comprometer a sua saúde).

Rita Costa Alves

Nutricionista da ULS Braga