Os dias quentes convidam a passar mais tempo no exterior mas, no que toca a alimentação, nem todos os produtos conseguem superar o desafio da temperatura, deteriorando-se. Reúnem-se assim condições favoráveis à ocorrência de intoxicações alimentares.

Embora o marisco ou maionese sejam mais frequentemente associados a este problema, o risco de intoxicação está presente noutros alimentos, bem como na forma como são preparados e conservados, seja dentro ou fora de casa.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que as intoxicações causadas por água ou alimentos contaminados sejam responsáveis por cerca de 2 milhões de mortes por ano. As crianças, os idosos e os doentes crónicos são os mais vulneráveis a este tipo de infeções.

A sintomatologia resultante destas intoxicações depende, entre outros fatores, do microrganismo que a origina, sendo os sintomas mais frequentes as dores de estômago, vómitos e diarreia. Estes podem ser desencadeados de forma rápida, logo após a ingestão do alimento ou demorar dias ou semanas a surgir.

Segundo a Associação Portuguesa de Nutricionistas (APN), a lista de alimentos com maior risco de deterioração inclui: frutos do mar; iogurtes, leite e sobremesas lácteas; queijo fresco; fiambre; carne, ovo e peixe mal cozinhados; quiches, folhados, empadas e fritos; molhos (maionese, natas, entre outros); bolos com creme/chantilly e gelatina.

Assim sendo, para prevenir uma intoxicação alimentar respeite as seguintes 10 regras essenciais:

  1. Garantir que toda a água que consome seja potável.
  2. Lavar sempre as mãos antes de comer ou preparar algum alimento. As infeções mais frequentes são transmitidas através das mãos.
  3. Manter a higiene adequada da sua cozinha. Mantenha os utensílios de cozinha e superfícies que contactam com os alimentos sempre devidamente limpos e desinfetados.
  4. Higienizar corretamente os alimentos, sobretudo aqueles que serão consumidos crus. Lave cuidadosamente os alimentos, especialmente as frutas, legumes e verduras.
  5. Evitar contaminação cruzada. Não use o mesmo utensílio (faca ou tábua de corte por exemplo) para alimentos crus e cozinhados e armazene os alimentos protegidos dentro de um recipiente ou tapados com uma película.
  6. Certifique-se de que o seu frigorífico está a funcionar bem e a temperaturas certas! O ideal será regulá-lo para 3 a 5ºC. Os alimentos perecíveis como os laticínios, hortaliças, legumes e frutas deverão ser guardados no frigorífico.
  7. Descongelar os produtos de maneira correta: no micro-ondas ou no frigorífico. Descongelar os alimentos à temperatura ambiente é um  erro muito comum que não deve ser feito.
  8. Cozinhar bem os alimentos, especialmente carne, ovo e peixe.
  9. Evite cozinhar alimentos em excesso. No entanto, se sobrar comida confeccionada guarde-a no frigorífico em recipientes bem selados e, preferencialmente, de vidro.
  10. Garantir temperaturas adequadas no transporte: Sempre que preparar piqueniques ou refeições para a praia opte por alimentos frios que facilmente consegue acondicionar numa mala térmica com acumuladores térmicos. Deve guardar a mala à sombra e evitar abri-la muitas vezes ou deixá-la aberta. Se optar por levar alimentos quentes separe-os dos alimentos frios.

Lembre-se, as intoxicações alimentares são mais comuns nos meses de verão devido à proliferação de microrganismos nos alimentos.

Cabe a cada um de nós tomar as precauções necessárias na escolha, preparação e conservação dos géneros alimentícios para garantir uma alimentação saudável e sem riscos.

Serviço de Nutrição

da ULS Braga